A maturidade organizacional representa a qualidade com que uma empresa opera. Quanto maior o nível de maturidade, maior a capacidade dessa empresa de enfrentar desafios e aproveitar oportunidades. E esse é um caminho que se constrói com consistência e foco em melhoria contínua.
“Em uma organização em amadurecimento, duas coisas estão acontecendo. A primeira é que você se torna menos reativo. A empresa começa a tomar decisões com base em dados, com compreensão clara dos resultados operacionais e financeiros.”
A segunda, ele continua, “é o que eu chamo de manufatura autônoma.”
Isso não tem a ver com máquinas, automação ou robôs. Tem a ver com uma força de trabalho consciente, onde as pessoas mais próximas do problema têm a informação, o treinamento e a autonomia para agir e resolver. Maturidade, no fundo, tem a ver com agilidade — com a habilidade de responder rápido a problemas ou oportunidades.”
Essa maturidade é um fator crítico para o desenvolvimento dos negócios. À medida que sua empresa cresce, assume novas iniciativas e constrói parcerias estratégicas, ela também precisa amadurecer. Muitas vezes, essas empresas em amadurecimento são chamadas de “organizações que aprendem”, pois estão sempre se adaptando conforme crescem.
O que é um Modelo de Maturidade Organizacional?
O modelo de maturidade organizacional é uma estrutura que ajuda a medir em que estágio de maturidade a sua empresa se encontra. Normalmente, esses modelos são divididos em níveis. A partir dessa compreensão, os líderes podem identificar onde estão e onde precisam chegar.
Quando projetos ou processos falham, é comum culpar a tecnologia ou um erro humano. Mas se a empresa ainda não tem maturidade suficiente para lidar com a complexidade de suas iniciativas, essas falhas vão continuar. E isso acaba desmotivando as pessoas, gerando frustração. Por isso, entender seu nível de maturidade é essencial para adaptar os projetos à sua real capacidade.
Os modelos geralmente têm cinco níveis, com características que descrevem aspectos culturais, estruturais e operacionais. Eles podem ser aplicados a empresas de qualquer porte ou setor, inclusive em áreas específicas dentro de uma organização. É uma ferramenta poderosa para diagnosticar pontos críticos e medir avanços.
A primeira pergunta é: onde você quer amadurecer? Com o modelo certo, conseguimos identificar o momento atual e os próximos passos para crescer com consistência.
Esses modelos vêm evoluindo desde os anos 70 e 80, a partir de iniciativas de qualidade e processos. A maioria tem base no Capability Maturity Model (CMM) do Instituto Carnegie Mellon, voltado inicialmente para desenvolvimento de software, e no Capability Maturity Model Integration (CMMI).
Outras organizações, como a OMG (Object Management Group), criaram o modelo BPMM (Business Process Management Maturity) e o PMI (Project Management Institute), que criou o OPM3 (Organizational Project Management).
Exemplos de Modelos de Maturidade Organizacional
Existem centenas de modelos, cada um voltado para diferentes aspectos de maturidade. Eles são baseados em dados e validados por especialistas.
Aqui estão alguns modelos conhecidos:
- Agile ISO Maturity Model (AIMM): Foca em práticas Ágeis e está alinhado com os padrões da ISO. Leia mais em AGILE ISO – Introducing Agile ISO Maturity Model
- OPM3 (Organizational Project Management): Criado pelo PMI, avalia a maturidade na gestão de projetos, programas e portfólios.
- P3M3: Desenvolvido pela Axelos, analisa sete dimensões da maturidade com uma escala de cinco níveis.
- PMMM (Project Management Maturity Model): Criado pela PM Solutions, mede a maturidade da gestão de projetos em cinco níveis.
- BPMM (Business Process Maturity Model): Inspirado no modelo da IBM dos anos 80, busca padronizar processos e elevar a maturidade organizacional.
Níveis de Maturidade Organizacional
Quase todos os modelos usam cinco estágios, que vão desde o caos até a liderança no setor. A maioria das empresas está entre os dois primeiros níveis. E nem todas precisam chegar ao nível máximo.
Os cinco níveis são:
Nível 1 – Informal: Também chamado de ad hoc, caótico ou reativo. O sucesso depende de heróis individuais, não de processos. A comunicação é falha, o trabalho descoordenado. À medida que a empresa cresce, o controle se perde. Líderes até planejam, mas não comunicam — e se frustram com os resultados.
Nível 2 – Definido: Surgem práticas consistentes em silos e departamentos. Os fluxos se tornam menos improvisados. Equipes multifuncionais substituem grupos informais. O time já sabe o que não sabe. A coleta de dados começa a embasar decisões e identificar economias.
Nível 3 – Integrado: As capacidades são integradas. Os processos, padronizados e documentados. As informações fluem entre áreas. Todos compreendem os objetivos da empresa. Pessoas se sentem empoderadas a tomar decisões. Papéis e responsabilidades são claros. A resistência à mudança diminui. A automação libera tempo para a melhoria.
Nível 4 – Estratégico: Os processos estão alinhados com a estratégia. Há uso consistente e previsível dos processos. As decisões são baseadas em métricas. Conflitos e falhas de comunicação são raros.
Nível 5 – Otimizado: A empresa atinge excelência. Seus processos são benchmark no mercado. Operações eficientes abrem espaço para inovação. A cultura é de melhoria contínua.
Como Avançar para o Próximo Nível de Maturidade

Depois de definir os objetivos e entender os obstáculos, é hora de planejar a transição para o próximo estágio de maturidade. Crescer em maturidade é colocar processos em prática para resolver problemas e alcançar metas — e monitorar continuamente os novos desafios que surgem.
È necessário reforça a importância de medir e avaliar: “Muitas iniciativas Lean fracassam porque a empresa sente que está jogando dinheiro fora na busca pela maturidade profissional é. Interrompe as operações, faz treinamentos, promove eventos… mas não consegue perceber valor. Sem uma linha de base de desempenho e sem formas de medir impacto, fica difícil enxergar o retorno.”
Outro ponto essencial: priorizar os problemas certos. “Às vezes colocamos as pessoas para resolver o que parece urgente, ou algo que incomodou naquele dia. Mas será que esses são realmente os principais problemas que afetam o resultado financeiro do negócio?”
Um empresário, ao perceber que sua empresa de 15 pessoas havia estagnado, decidiu aplicar uma matriz de maturidade que ele mesmo criou. “Fiz um plano para trabalhar nas áreas onde estávamos piores”, disse, citando o livro A Meta, de Eliyahu Goldratt. “Sempre existe um gargalo. No nosso caso, o gargalo era o dono — eu mesmo.” Com essa autorreflexão, ele estabeleceu um time de gestão. “Hoje desenvolvemos mais as pessoas e temos mais aderência aos processos — porque agora eles são criados por quem faz o trabalho.”
Dicas de Especialistas para Avançar na Maturidade
A maturidade organizacional não acontece da noite para o dia. Veja algumas orientações de quem já trilhou esse caminho:
- Comece com os recursos disponíveis: Antes de buscar apoio externo, avalie o que já existe internamente. “Não deixe que a falta de orçamento te paralise. Comece com o que tem hoje”, recomenda Skidmore. Lei mais em: O que você espera alcançar nos próximos anos na sua carreira?
- Abra espaço para avaliações: Avaliações são pontos de partida, não julgamentos. “Elas mostram onde estamos, não se somos bons ou ruins”.Avaliações com viés subjetivo criam silos; as objetivas revelam problemas que realmente impactam os resultados.
- Comprometa-se com o crescimento: Leva tempo para ver os efeitos das mudanças. Avançar de um estágio para outro pode levar três anos. Do primeiro ao quinto estágio? Entre oito e dez anos.
- Não confunda idade com maturidade: Empresas antigas também podem ser imaturas — com ineficiências e conflitos.
- Use métricas objetivas: “Se você está tentando melhorar algo, trata isso como hobby ou como projeto?”. Métricas e indicadores são essenciais para medir evolução.
- Faça mudanças incrementais: Ninguém espera que a empresa pule do nível 1 para o 5 de uma vez. São degraus. Vá subindo com consistência.
Desafios Comuns na Jornada da Maturidade
Alguns obstáculos podem atrapalhar — e é importante reconhecê-los para enfrentá-los com clareza:
- Falta de apoio da liderança: “Uma iniciativa de maturidade não é um projeto de dois meses, é um compromisso de dois a quatro anos”, alerta Skidmore. Sem apoio da alta liderança, não há avanço.
- Falta de recursos humanos: Muitas vezes é necessário criar áreas novas ou contratar pessoas. Não dá para empilhar novas tarefas em quem já está sobrecarregado.
- Falta de dados confiáveis: Sem dados, é difícil mostrar resultados e manter a motivação. A boa notícia é que hoje a tecnologia ajuda a coletar e analisar tudo em tempo real.
- Falta de compartilhamento de informações: Não adianta coletar dados se quem precisa deles não tem acesso. Supervisores frequentemente tomam decisões no escuro — por falta de dados úteis na hora certa.
Avaliação de Maturidade Organizacional
Essa avaliação mede em que estágio a empresa está. Pode ser feita por meio de matrizes, questionários ou ferramentas específicas. Algumas são gratuitas e autoadministráveis; outras, conduzidas por consultores.
Exemplos:
- Matrizes de Maturidade: Como a auditoria de Pete Fowler, em que cada nível é cruzado com atividades críticas. Visual e fácil de interpretar.
- Questionários e Checklists: Com escalas (tipo Likert) ou perguntas de sim/não. Após somar os pontos, é possível identificar o nível de maturidade.
Modelos específicos:
- MESA MOM Assessment Tool: Focado em manufatura, mede maturidade em áreas como controle de qualidade e manutenção.
- Baldrige Excellence Framework: Avalia liderança, estratégia, clientes, processos e resultados com quatro níveis: reativo, inicial, maduro e referência.
- Rapid Plant Assessment (RPA): Um time faz uma visita rápida à planta e avalia visualmente os processos e boas práticas.
O que é uma Organização Madura?
É aquela que se adapta com eficiência. Os processos são documentados e seguidos. Isso reduz desperdício, atritos e ruídos. As pessoas têm autonomia para agir e contribuir com melhorias.
Empresas maduras normalmente estão nos níveis 4 ou 5. Elas já estruturaram processos que favorecem a melhoria contínua. Uma empresa madura é aquela em que os colaboradores têm autonomia para buscar respostas — sem depender do comando da liderança.
Já empresas imaturas não têm essa estrutura. A comunicação é ruim e o foco está em apagar incêndios, não em crescimento sustentável. “Quando um cliente chega dizendo: ‘precisamos urgente de um programa de liderança’, já sei que estão no nível ad hoc”.
Benefícios de Ser uma Organização Madura
Maturidade gera mais eficiência, mais alinhamento, mais motivação. Os líderes respondem melhor aos desafios e os times se sentem parte da solução.
Fowler reforça: maturidade sustenta a melhoria contínua. “A entropia é real. Se você não renova constantemente, as coisas se degradam.” Ou a empresa está evoluindo ou está ficando para trás.
Outros benefícios:
- Alta produtividade: Menos retrabalho, mais entrega.
- Mais agilidade: Capacidade de resposta rápida a mudanças.
- Maior satisfação dos clientes: Relacionamentos fortalecidos.
- Redução de custos: Mais controle e previsibilidade.
- Dados confiáveis: Decisões com base em fatos.
Se você chegou até aqui, percebeu que maturidade organizacional não é apenas um conceito teórico — é um diferencial competitivo real e acessível. Esse é um dos pilares dos projetos que desenvolvemos na 2BSUPPLY para empresas que desejam evoluir com consistência e protagonismo.
Se você quer entender melhor como aplicar esse modelo na sua organização, ou deseja realizar uma avaliação de maturidade com base nos principais referenciais de mercado, fico à disposição. É só entrar em contato pelo e-mail comercial@2bsupply.com.br — será um prazer apoiar sua jornada de crescimento.